terça-feira, 18 de setembro de 2012

O tempo

Acabei de escrever, e resolvi compartilhar.
Chama-se "O tempo".

"O tempo nunca mente,
Às vezes se omite
E cria-se o mito
De uma imortalidade latente.
Pelo despertar, eu grito!
Mas mesmo que potente,
Mesmo que atinja o infinito
Não parece ser suficiente.
É um viver inconsciente,
Como se seguisse um rito,
Um roteiro já escrito
Com um fim eminente.
Um tom elevado, um ar erudito,
Uma superioridade descrente.
Um pensamento restrito,
Um provérbio bem dito,
Uma bela patente.
Sentido-me bendito,
Soberba esculpida em granito
Bem polido, luzente.
Deveras pedante, me faço imprudente
E cometo grave delito.
Com o espelho da verdade à frente,
Minha imagem eu fito.
Meu olhar mais que aflito
Não esconde o evidente:
-O futuro se faz presente."

(Luiz Alberto Gomes Jr.)

sexta-feira, 2 de março de 2012

Não amar

"Que seja infinito enquanto dure!
Que perdure,
Que sature
E que se aturem!
Não me condenem a sinceridade
Mas em se tratando de amor,
Pouco se espera prosperidade.
- Ai que horror!
Ouviria de um doidivana
Que, de mim duvidando,
Se poria a chorar.
Pois que chore
E não mais me implore
Um ombro ou um colo
Quando se decepcionar.
Me chamem sabichão,
Mal amado e desalmado,
E me recriminem o pensamento.
Mas ao ouvirem um “não”,
Apenas de bom grado,
Me mantenham informado
De sua decepção.
Será um alento...
Que homem sofrido,
De cristão não tem nada!
Carrega escudo e espada
E uma pedra no peito.
Soldado combalido,
Se apóia nas armas
E faz do chão seu leito.
Batalhou toda a vida
Fez da solidão sua lida
E da sombra única aliada.
No fim, desfalece aos prantos
Pedindo a Deus que seja perdoado,
Por ter dito aos quatro cantos
Que não queria ser amado..."

Luiz Alberto Jr.